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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Da Vinci exposto

                                                                                                          Por Carla Moreira

Talvez não exista no mundo alguém que não tenha ouvido falar ou tenha ciência sobre Leonardo Da Vinci, pintor renascentista que é conhecido mundialmente pelo quadro do sorriso enigmático da Gioconda, a Mona Lisa. Essa obra é considera por muitos o quadro mais importante e famoso da história da arte, na década de 60 chegou a custar cerca de 100 milhões de dólares americanos, hoje a pintura encontra-se no museu do Louvre, em Paris, e é a sua maior atração.   


O que talvez poucos saibam é que Da Vinci além de pintor também foi muito participativo em outras áreas, como por exemplo, foi escultor, músico, matemático, botânico, cenógrafo de teatro, dentre outros campos bem opostos uns dos outros e bem legais.

Ano passado, precisamente em 9 de Novembro, a National Gallery, que é um dos mais importantes museus da Europa e um dos mais conhecidos de todo mundo, reuniu 60 obras do artista em uma exposição que durará cerca de três meses. A enorme mostra tem o nome de “Leonardo Da Vinci: Pintor na Corte de Milão”, e já é considerada a maior da história. É uma oportunidade única de ver quadros do artista num único lugar. O museu Londrino fará exposição de pinturas e desenhos de um período específico de Leonardo, a fase em que ele trabalhava como pintor na corte de Milão.

Mona lisa e a última ceia, quadros de maiores destaques do artista, não estarão presentes do local, mas, a grande surpresa do evento é a exposição da até então obra perdida de Da Vinci, Salvator Mundi (O Salvador do Mundo). Esta tela foi vendida na década de 1950 por apenas 45 libras (R$ 114), e desde então é considerada desaparecida.

Salvator Mundi
O quadro que já fez parte da coleção de arte do rei Charles 1º da Inglaterra, foi vendida em 1958 pela pequena quantia de 45 libras, nessa época acreditava-se que o Salvator fosse obra de Giovanni Boltraffio, um dos alunos de Da Vinci. Pouco se sabe, mas a tela chegou a ser desfigurada, nela havia camadas de verniz e uma pintura por cima da obra real. Em 2005 depois de percorrer diversos países, a tela chegou às mãos de um colecionador americano, Robert Simon, que é especialista em pintura renascentista, e que apesar de achar pouco provável que a tela pertencesse a Leonardo, fez uma intensa investigação e restauração da obra.

Robert contou com ajuda de diversos especialistas do assunto, e após um exaustivo trabalho de conservação e estudos, chegaram a um consenso inequívoco de que Salvator Mundi é um original do artista renascentista Da Vinci. Hoje essa obra tem um valor aproximado de 120 milhões de libras (R$ 303 milhões), uma estimativa bem diferente do que fora vendida outrora.

A Madona das Rochas
   
Outro ponto marcante e exclusivo dessa magnífica exposição é a presença inédita de duas versões de 'A Madona das Rochas', uma versão cedida, excepcionalmente, pelo museu do Louvre para essa exposição, e a outra é a que já existia na National Gallery e que foi recentemente restaurada.

É com certeza um grande marco para os adoradores da arte. Os críticos de todo o mundo não sabem como descrever de maneira original esta mostra. Há exposto neste grande museu obras e telas raríssimas, e um evento desse porte deve levar o mérito que merece, após anos de tentativas para conseguir convencer os proprietários a cederem suas obras, finalmente esse grande projeto foi posto em ação.

Provavelmente outra oportunidade como essa não ocorrerá, e parece que muitos têm a dimensão disso, pois os ingressos que foram colocados antecipados à venda estavam esgotados antes mesmo que você tentasse pensar se comprava ou não.  Porém todos os dias são postos à venda 500 ingressos na bilheteria do museu, não há mais vendas de bilhetes pela internet, que ocorreu apenas para o primeiro dia de exposição.

A exibição fica em cartaz até cinco de fevereiro de 2012, e se você for para Londres nas suas férias, por favor, não deixe de conferir a exposição.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Arte Proibida" no antigo campo de concentração Auschwitz

                                                                                                        Por Carla Moreira

Auschwitz-Birkenau esse é o nome de um conjunto de campos de concentração nazista. Você pode não se lembrar, ou não saber pelo nome, mas foi aí onde a Alemanha fez a maior atrocidade da história da humanidade. O Auschwitz II além de ser campo de concentração era também de extermínio. Na "fábrica da morte", como era conhecida, foram mortos, segundo fontes oficias, mais de 1,5 milhões de pessoas entre elas, ciganos, homossexuais, deficientes mentais e físicos, e o alvo primordial da ira dos soldados nazistas: Judeus.  

Holocausto. Eis a palavra mais assustadora para os Judeus. Até hoje quando se cita essa palavra a um judeu há uma enorme repulsa, pois remete instantaneamente àquele monstruoso período da história que sucedeu aos seus ancestrais.

Mas esse ano, precisamente no dia 27 de Janeiro, dia “da lembrança do holocausto”, essa fábrica com tantos “fantasmas” e histórias foi reaberta para disseminar arte. Após anos de abandono e de uma drástica reforma, o campo que outrora carregava, e ainda carrega consigo memórias ruins, agora pode tentar dar a este lugar um pouco de “alegria” que a arte proporciona.

Até Novembro desse ano, no memorial, estará em exposição a “Arte proibida”, que contém desenhos e esculturas feitas pelos próprios prisioneiros. Os desenhos representam a condição dos prisioneiros, cenas da vida no campo e retratos. Eles também incluem referências a contos de fadas que alguns cativos escreviam a suas crianças deixadas em casa, disse Pawel Sawicki, porta-voz do museu.

Fora os desenhos e esculturas, encontram-se também presentes nessa exposição: uma estatueta de madeira e uma pulseira de metal com cenas de Auschwitz. Essa foi encontrada próximo de um crematório, logo após o campo de concentração ser “libertado” pelo exército soviético em Janeiro de 1945. Todas essas artes se encontram no antigo edifício de tijolos vermelhos, destinado ao banho dos prisioneiros.

Um detalhe dessa exposição é que ela consiste, em sua totalidade, em fotos destas artes, para que se mantenha a maior proteção possível das originais e também para a mobilidade dos quadros para outras galerias mundo a fora. Os próximos destinos dessas grandes fotos serão Washington e Detroit, nos Estados Unidos.

                   

Um breve olhar no passado... E no presente.


Era 27 de Janeiro de 1945 quando quatro soldados soviéticos encontraram ocasionalmente o campo de concentração Auschwitz II (Birkenau). Eles avistaram de longe pessoas vagando desnorteadas pela neve, como se procurassem algo, mas estavam totalmente perdidas.

Eles nem imaginavam, mas ali encontrariam o pior de todos os pesadelos. O campo da morte. A fábrica da morte. Sobreviventes que mais pareciam mortos-vivos, tudo era muito estranho e terrivelmente horripilante nesse local.

Após vasculharem o lugar, e conseguirem escassas informações do poucos “sobreviventes de sorte” que estavam por ali, os soldados encontraram centenas de milhares de utensílios pessoais e roupas em galpões, mas o mesmo não podia-se dizer dos donos.  

Das poucas informações retraídas, as piores sensações e lembranças. As crianças e bebês estavam em praticamente em todos os depoimentos. A forma como eram jogadas vivas dentro dos crematórios, ou os joguinhos feitos pelos soldados nazistas.

Essa fábrica que hoje em dia habita arte fora um dos crematórios de cadáveres. Depois de serem mortos da forma mais “silenciosa” possível, sem sangue, em câmaras de gás, os prisioneiros eram arremessados em grandes fornalhas para que não sobrasse nenhum tipo de evidências dos atos alemães.

Os alemães já haviam fugido há algum tempo, depois de terem ouvido o barulho da tropa soviética próxima ao campo de concentração. Mas quando eles fugiram não levaram consigo apenas a covardia como também alguns indícios. Apenas coisas sem valor de prova foram deixadas para trás. Papéis e alguns crematórios foram queimados.

E imaginar que já houve diversos massacres, guerras, batalhas, várias formas de se morrer; mas talvez essa tenha sido a mais fria e calculista de todas. Se analisarmos bem, pelo menos (no pior sentido que essas palavras possam significar nesse momento) nas outras formas de combate as pessoas ainda tinham a chance de lutarem pelas suas vidas, reagirem, davam o que podiam para sobreviver. Aqui a chance era nula. Mortas pelo gás Zyklon B, depois devoradas pelas gigantescas máquinas, as pessoas se transformavam em uma enorme nuvem negra, quase que incessante. 

Esse ano, o governo da Polônia reabriu as investigações sobre os crimes cometidos pelos nazistas no campo de concentração Auschwitz. O objetivo do IPN (siglas em polaco para Instituto da memória nacional) é localizar os responsáveis do extermínio no antigo campo, e julgá-los por crime contra a nação, caso seja possível.

O diretor do IPN, Piotr Piatek, me pareceu bem esperançoso ao acreditar ser possível fazer uma busca, que para muitos já é dita como impossível. Em declarações para a agência de notícias PAP, ele disse: “Não descartamos a possibilidade de encontrar vivas algumas das pessoas que trabalharam no campo de concentração Auschwitz”.

Por fim, digo: Arte é arte em qualquer tempo ou lugar. É transformação. É como a simbologia de algo subjetivo, abstrato ou atemporal. E arte nesse local em especial é como o nascer de uma flor no meio do nada, no local mais impossível de se imaginar. Uma tentativa (diga-se de passagem, quase que utópica) de levar embora as lembranças más que esse local traz consigo, mostrar ao público o que de "bom" saiu de lá. É como a vida (fazendo uma comparação bem grosseira), sempre tentamos tirar das piores situações um rastro de coisas boas. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Semana da cultura Afro-Lusófona: O Mussiro

                                               Por Carla Moreira

A preocupação feminina com a estética é um tema mais que batido na sociedade, a vontade de sempre estar bem consigo mesma ou de adequar-se a uma beleza imposta. No século XXI a situação piorou drasticamente. O padrão de beleza mudou do que fora outrora, o pensamento do que se é bonito passou a ser exigido de uma forma descontrolada. Antigamente, mulheres mais “fortinhas”, robustas, eram as mulheres dos sonhos para qualquer homem. Hoje, me parece que quanto mais magra e alta mais perfeita você é. Acrescentando-se a isso pode ser colocado como alguns dos vetores dessa forma de pensar (errônea): a publicidade e os “tipos” de mulheres perfeitas da sociedade atual imposta (de certa forma) pela ditadura da moda.

Créditos da foto:Blog "Beijo de mulata"
Centenas de dinheiros gastos para manter-se bonita. Corpo. Cabelo. Vestuários... Indústrias que nunca param de crescer. Mas engana-se quem acha que o mundo todo é seguidor dessa vertente. Há quem lute contra essa ditadura, e há quem apenas viva sua vida, que tem outros pensamentos em relação à estética e que ainda conserve ideais como antigamente.

Em Moçambique, por exemplo, o tratamento mais “drástico” ligado à estética é a máscara de Mussiro. A “máscara da beleza” como é conhecida, é uma pasta feita com água mistura ao pó extraído do caule da planta. Deve-se friccionar a parte da planta numa pedra até o pozinho aparecer.

Há muitas versões do real significado dessa pintura nas faces das mulheres do país. Alguns dizem que apenas mulheres (não adolescentes ou crianças) podem usar este adorno, como um ritual de transição da fase de menina à mulher. Há também os que dizem que as mulheres utilizam esse enfeite para sinalizar a ausência do marido na casa. Em outros tempos, houve quem dissesse que era usada apenas por virgens; teorias à parte, o mussiro, além de ser um ótimo tratamento para a pele, é bastante usado para outros fins: a planta cura diversas enfermidades, trata febre e dores de garganta.

A planta é nativa de Moçambique, por isso, existem diversas iniciativas de preservação e multiplicação dela. Há um projeto desempenhado pelo governo em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o ACNUR (Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e a Organização Internacional do Trabalho para que essas ideias deem certo.

Foto pertencente ao blog "África do meu coração"

Em regiões como Nampula e Cabo Delgado há um uso exacerbado do mussiro, e se fala em perigo de extinção futuramente nessas áreas. Mas os trabalhos de multiplicação andam num ritmo satisfatório para o governo. Em lugares onde a planta é abundante serão criadas condições para sua industrialização com a perspectiva de dar maior valor comercial ao “produto”. As famílias e comunidades envolvidas nesse âmbito de negócios serão totalmente beneficiadas, podendo aumentar sua renda.

De uso estético ou medicinal o mussiro é, sobretudo, de grande importância cultural para Moçambique. O uso do mussiro, além dessas "utilidades" me fez ver que para se estar "bonita" não precisa gastar um tanto de dinheiro que se gasta hoje em dia quando o assunto é estética. Está tudo ao alcance delas, sem falar que é um tratamento totalmente natural e eficaz. Certo que não podemos fazer parâmetros em relação à cultura dessas mulheres e as que estão totalmente mergulhadas no mundo capitalista atrativo, mas deixo aqui meu ponto de vista do que é que se pode considerado bonito. Devemos nos contentar com que temos e fazer disso algo grande. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Túnel psicodélico da China

                                                                                                           Por Carla Moreira

Bem, devo confessar que desde que escrevi meu post sobre as estações de Lisboa aqui para o blog das cores (caso você não tenha lido clique aqui), eu não parei de pesquisar sobre o assunto. Entre essas pesquisadas me deparei com algo tão encantador quanto esse tema, não diz respeito a uma estação especificamente, mas se trata de um túnel.

Torre Pérola oriental
Bund Sightseeing Tunnel tem um cumprimento de 646,7 metros, atravessa o rio Huangpu e é um dos meios de transporte para se chegar à torre de televisão de Pudong, chamada de “torre pérola oriental” que é um dos grandes pontos turísticos de Xangai, mede 468 metros de altura, sendo a maior da Ásia e a terceira maior torre do mundo. Alguns chineses não foram muito fãs da construção desse túnel, acham o custo da viagem muito cara (quantia de US$ 3) comparado ao tempo de duração da corrida, cerca de 4 minutinhos, e muito deles acreditam que é algo mais voltado para o turismo do que realmente um meio de transporte.

Esse longo túnel é composto por um conjunto de fatores que o torna único e talvez o mais surreal em sua “categoria”; você faz a travessia numa pequena cabine de vidro que cabe mais ou menos de 8 a 9 pessoas. Um show de luzes e sons ambiente (lucy in the sky with diamonds se encaixaria  perfeitamente nessa trilha sonora), iluminação à parte e telas que quando a pequena cabine começa a se movimentar surgem cores e diversas imagens psicodélicas.

Se você sofre de agorafobia ou algo do gênero, sugiro que não se aproxime do Bund Sightseeing Tunnel, agora, se você quer pagar um pouquinho mais caro e admirar esse efeito “alucinógeno” que o túnel pode lhe proporcionar passe por lá sem pensar duas vezes.

Logo abaixo você confere dois vídeos:





quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A maior do mundo

                                                                                                      Por Carla Moreira
Já imaginou nadar um quilômetro? Mas calma, não digo no mar, e sim numa piscina, e adiciono mais, nadar um quilômetro de extensão da piscina. Caso você achar que irá se cansar, não precisa ficar agoniado por não poder mergulhar na maior piscina do mundo, pois é também possível andar de caiaque, vela, mergulhar e utilizar um serviço de barca que transporta os usuários de um extremo a outro do resort.
A maior piscina ao ar livre se encontra no resort San Alfonso Del Mar, no Chile, e fica a 90 quilômetros de Santiago. A piscina demorou cinco anos para ser construída, e custou US$ 1 bilhão de reais e sua manutenção anual é de US$ 4 milhões. Ela possui águas provenientes do oceano pacífico, que depois de um tratamento é bombeada para a piscina e mantida a uma temperatura de 26 graus que se estendem nos seus oito hectares de área total, com a “bagatela” de 250 milhões de litros de água.
Além disso, possui águas cristalinas, areia privada e fica à beira-mar. Nela é possível nadar, relaxar, andar de barca olhando o azul turquesa das águas do pacífico bem à sua frente. Apesar de ser voltado para vendas de imóveis, é possível fazer aluguéis em curto prazo, uma semana por exemplo.

Segue abaixo um vídeo mostrando a piscina, ele é um pouquinho grande, mas vale a pena dá uma olhadinha:





terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um Cristo de 80 anos

                                                                                                   Postado por Carla Moreira


Cristo rei, Polônia

O cristo redentor faz nessa quarta-feira 80 anos. Como no dia da sua inauguração, o esquadrão da fumaça do Rio de Janeiro, fará seu show para milhões de espectadores que irão comemorar junto ao cristo. O monumento é um símbolo do cristianismo - que representa Jesus cristo - fica localizado no alto do morro do corcovado no bairro alto da Bela Vista. O Cristo é a segunda escultura de Jesus no mundo, ficando atrás da Estátua de Cristo rei, localizada na Polônia. Esse último tem 16 metros a mais que o nosso Cristo Redentor, foi inaugurado em 2010 e pesa 440 toneladas, fica localizado próximo à rodovia que une Varsóvia a Berlim.

História, reformas e uma maravilha do mundo

A construção do Cristo é um dos grandes capítulos da engenharia brasileira. Ele, que foi erguido em concreto armado e revestido de pedra-sabão, teve sua inauguração no dia 12 de outubro de 1931.

Ano passado o Redentor passou por profundas reformas, que foi desde a estrutura interna à estátua até a restauração do mosaico de pedra-sabão que reveste todo o monumento. Há um desgaste grande da obra devido a freqüente exposição a que ele é submetido, causado pelas condições climáticas.

Após uma votação popular que ultrapassou os cem milhões de votos, o Cristo Redentor entrou para “As sete maravilhas do mundo”. Foi uma votação feita na internet e por telefone, num concurso informal. No ano em que o Cristo foi considerado uma das maravilhas, o até então presidente da república (Lula), divulgou uma nota parabenizando o monumento e todos os envolvidos e ainda explicou o fato de a escultura ter sido a escolhida para compor as maravilhas mundiais: "O Cristo Redentor sempre foi uma maravilha do Rio de Janeiro e do Brasil. A partir de agora ele é também uma das sete maravilhas do mundo", afirmava a nota. A iniciativa não tem apoio unânime e a UNESCO, que se dedica ao patrimônio mundial, decidiu não participar do evento que consolidou adesão do Cristo ao grupo.

E no meio do caminho tinha um francês...

Em pleno ano de comemoração dos 80 anos do Cristo Redentor está ocorrendo também uma disputa para saber quem tem reais diretos sobre a escultura. De um lado estão os parentes de Paul Landowski, escultor francês, que garantem ser o único autor da estátua, esculpida em Paris e concluída no Rio. O artista morreu no ano de 1961. 

Do outro, Bel Noronha, bisneta de Heitor da silva costa - engenheiro brasileiro responsável pela construção do monumento. Bel afirma veemente que o seu bisavô foi o autor e o idealizador, e que ele contratou o francês Paul apenas para a construção das mãos e a cabeça da singela estátua.

E pra completar o espetáculo no meio de tudo isso encontra-se a Arquidiocese do Rio, que detém os direitos de imagem, ao encomendar a estátua no ano de 1920.

Sempre houve essa lenda, ainda não desmistificada, de que os franceses como um bom povo, dão presentinhos mundo a fora; essa disputa veio à tona depois que os familiares do artista francês, tentaram cobrar por reproduções do Cristo. O advogado da família garante que tudo isso não se trata de questões de dinheiro e sim de legitimidade da obra para com seu artista.

Questões burocráticas ou não, “presentinho grego”, ser uma das sete maravilhas do mundo ou não, tudo isso fica de fora, hoje é o dia em que o maior símbolo do cristianismo no Brasil comemora seus 80 anos. O Cristo acolhe e abraça milhares de pessoas diariamente, tem uma visão privilegiada do Rio e tenta olhar pela cidade, ao menos tenta.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Das páginas para as ruas


                                                                                                             Por Carla Moreira

Num banco de praça do bairro San Telmo encontra-se Mafalda; sozinha, com um vestido verde, olhando para o nada com um leve sorriso no rosto, como o de quem está refletindo sobre algo, provavelmente sobre o mundo, que como diz a própria personagem, é uma “imensa casa da mãe Joana espacial”. A irônica menina-filosófica que analisa o planeta e sua conjuntura saiu dos papéis e virou uma estátua em um dos bairros mais famosos de Buenos Aires.

O arquiteto da escultura é o argentino Pablo Irrgang, que disse ter feito a Mafalda em “tamanho real”. A escultura mede 80 centímetros, é feita de fibra de vidro e resina, bem resistente caso ocorra eventuais atos de vandalismo. A obra não possuí nenhuma medida de proteção, tudo para que o público possa interagir com a pequena menina. Pablo espera que a obra “desperte bons sentimentos nas pessoas”. No final de todo o projeto de homenagem ao Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, o arquiteto foi até à Itália, onde mora o artista argentino atualmente, para tratar dos últimos detalhes.

Em entrevista para o jornal argentino “La Nación”, Pablo Irrgang contou que foi muito boa a troca de informações e ideias com Quino. “Foi divertido. Há um mês reunimo-nos com Quino para examinar os últimos pormenores. Foi uma experiência muito boa. Quino sabe muito bem o que quer. Sempre teve ideias claras sobre como devia ser a escultura".


O cartunista argentino participou da cerimônia de inauguração da estátua; disse ter ficado bastante surpreso com a espontaneidade da obra, mas admitiu que ainda custa a ele ver uma Mafalda tridimensional. A esquina ficou repleta de fãs, curiosos e amigos do famoso cartunista. A estátua fez em agosto dois anos desde a sua inauguração.




Mafalda "nasceu" e "viveu" no bairro San Telmo, no centro de Buenos Aires. A estátua foi posta exatamente na esquina onde começa oficialmente o bairro. Há alguns metros dali fica a Rua Chile, que costuma(va) ser o lugar em que a menina sentava e pensava sobre o mundo e suas circunstâncias. O apartamento de número 371 é onde Mafalda mora; seu criador Quino morava neste mesmo apartamento na época em que começou a desenhar e escrever a história. Desde 2007 há uma placa que demarca que ali “viveu” Mafalda. 


A célebre personagem é bastante conhecida, “nasceu” em 1964 e teve seus livros publicados até 1973, existem várias traduções das obras. Suas tiras são publicadas em diversos países, alguns até aparentemente inesperado como é o caso de Taiwan. A menina que se preocupa com a paz mundial e se rebela contra a situação vigente, que ama os Beatles e odeia sopa, ficará eternizada, assim como a obra do grande artista Quino.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Arte no subsolo português

                                                                                                  Por Carla Moreira

Estação do Parque
A rapidez das coisas para que seu tempo seja otimizado todo santo dia deve fazer com que você deixe de perceber detalhes, que poderiam até fazer-lhe quebrar um pouco a rotina estressante da cidade grande e simplesmente contemplar uma arte, algo minucioso ou grandioso, depende de como os seus olhos as verão. Talvez se você morasse em Lisboa suas passadas pelas estações seriam muito amenas, talvez até desejasse que seu comboio demorasse mais alguns instantes para você contemplar tal magnitude de pura arte que se faz presente nas estações do Metropolitano de Lisboa.

Estação Baixa-Chiado
Desde a construção das suas onze primeiras estações, que hoje em dia é formado por quatro linhas com 52 estações, o sistema de trens que teve sua criação em 29 de Dezembro de 1959, tem a preocupação de dotar os espaços públicos de condições estéticas para abrandar os efeitos negativos de um ambiente subterrâneo (sim! Todas são subterrâneas).


Estação Telheiras
O Metropolitano além abarcar o título de transporte mais rápido de Lisboa, acumula o de “galeria de exposição permanente de arte contemporânea”. Cada estação tem detalhes e a mão de um arquiteto português de renome, como por exemplo, Francisco Keil do Amaral, que desenhou o modelo de uma estação “padrão” e serviu de molde para todas as onze outras iniciais. A estação mais profunda dessa grande rede é a Baixa-Chiado, com 45 metros abaixo da superfície.

É uma plataforma mais linda do que a outra; com mínimos detalhes peculiares, umas mais modernas, outras com pormenores de um Portugal mais antigo, que mesmo assim não fica para trás. Nesses locais se acumulam artes e todo um conjunto que fazem desses lugares um espaço único no mundo. Mesmo sendo uma das redes de metrôs de menor tamanho da Europa, com certeza não deixa nem um pouco a desejar.


Confira algumas fotografias das estações:

Estação Saldanha


As duas estações na parte superior: Bela Vista
As duas estações na parte inferior: Chelas


Estação Estolaias



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Abbey Road

Por Carla Moreira
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No dia 22 de dezembro de 2010 a Abbey Road, a rua mais famosa do mundo, tornou-se patrimônio histórico da Inglaterra.  Ela que ficou conhecida mundialmente após quatro rapazes de Liverpool (John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr) passarem por cima de uma faixa de pedestre em uma simples avenida que nunca mais seria a mesma.

A singela rua em questão, além de dar nome ao famoso disco dos Beatles é também o nome dos estúdios da EMI (Electric and Musical Industries Ltd) onde este disco e vários outros trabalhos da banda foram gravados. O estúdio, considerado o templo dos Beatles, já tem o certificado de patrimônio histórico inglês desde fevereiro de 2010. Com isso, ficou proibida qualquer alteração no prédio sem autorização do governo; modificações no interior podem até serem feitas, mas é preciso ter a garantia que a essência será preservada.

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No dia 8 de agosto de 1969, numa sessão de fotos realizada pelo fotógrafo Lain Macmillan, que durou nada mais que 10 minutos deu-se a imortalidade naquele pequeno trecho de asfalto. Visitado por turistas do mundo todo, é considerada por John Penrose, ministro do turismo do Reino Unido, como “uma Meca para os fãs mundiais dos Beatles”, devido ao fato de muitas pessoas irem ao local reproduzir a travessia do quarteto.

Em comunicado oficial, Paul McCartney comemorou muito o “presente”: “Este foi um ano excelente para mim e para os Beatles. Saber que a faixa de pedestres da Abbey Road será preservada é a cereja no bolo.” Na página oficial do estúdio há uma câmera 24h que fica de frente para a faixa de pedestre em questão Link. Além disso, podem-se ver fotos de pessoas que passaram por lá (tem de tudo, desde mulher com vestido de noiva a gente fantasiada) como também fotos oficias da sessão dos Beatles por outro ângulo. O álbum Abbey Road é o 12° lançado pela banda britânica e irá completar 42 anos esse mês. Talvez não exista na história da música uma capa que foi mais parodiada e imitada; talvez não exista álbum mais lembrado, mas com certeza o que existe é muita inspiração quando se fala em Beatles.

 Segue abaixo algumas fotos famosas de imitações dessa travessia:


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