Páginas

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Arte Proibida" no antigo campo de concentração Auschwitz

                                                                                                        Por Carla Moreira

Auschwitz-Birkenau esse é o nome de um conjunto de campos de concentração nazista. Você pode não se lembrar, ou não saber pelo nome, mas foi aí onde a Alemanha fez a maior atrocidade da história da humanidade. O Auschwitz II além de ser campo de concentração era também de extermínio. Na "fábrica da morte", como era conhecida, foram mortos, segundo fontes oficias, mais de 1,5 milhões de pessoas entre elas, ciganos, homossexuais, deficientes mentais e físicos, e o alvo primordial da ira dos soldados nazistas: Judeus.  

Holocausto. Eis a palavra mais assustadora para os Judeus. Até hoje quando se cita essa palavra a um judeu há uma enorme repulsa, pois remete instantaneamente àquele monstruoso período da história que sucedeu aos seus ancestrais.

Mas esse ano, precisamente no dia 27 de Janeiro, dia “da lembrança do holocausto”, essa fábrica com tantos “fantasmas” e histórias foi reaberta para disseminar arte. Após anos de abandono e de uma drástica reforma, o campo que outrora carregava, e ainda carrega consigo memórias ruins, agora pode tentar dar a este lugar um pouco de “alegria” que a arte proporciona.

Até Novembro desse ano, no memorial, estará em exposição a “Arte proibida”, que contém desenhos e esculturas feitas pelos próprios prisioneiros. Os desenhos representam a condição dos prisioneiros, cenas da vida no campo e retratos. Eles também incluem referências a contos de fadas que alguns cativos escreviam a suas crianças deixadas em casa, disse Pawel Sawicki, porta-voz do museu.

Fora os desenhos e esculturas, encontram-se também presentes nessa exposição: uma estatueta de madeira e uma pulseira de metal com cenas de Auschwitz. Essa foi encontrada próximo de um crematório, logo após o campo de concentração ser “libertado” pelo exército soviético em Janeiro de 1945. Todas essas artes se encontram no antigo edifício de tijolos vermelhos, destinado ao banho dos prisioneiros.

Um detalhe dessa exposição é que ela consiste, em sua totalidade, em fotos destas artes, para que se mantenha a maior proteção possível das originais e também para a mobilidade dos quadros para outras galerias mundo a fora. Os próximos destinos dessas grandes fotos serão Washington e Detroit, nos Estados Unidos.

                   

Um breve olhar no passado... E no presente.


Era 27 de Janeiro de 1945 quando quatro soldados soviéticos encontraram ocasionalmente o campo de concentração Auschwitz II (Birkenau). Eles avistaram de longe pessoas vagando desnorteadas pela neve, como se procurassem algo, mas estavam totalmente perdidas.

Eles nem imaginavam, mas ali encontrariam o pior de todos os pesadelos. O campo da morte. A fábrica da morte. Sobreviventes que mais pareciam mortos-vivos, tudo era muito estranho e terrivelmente horripilante nesse local.

Após vasculharem o lugar, e conseguirem escassas informações do poucos “sobreviventes de sorte” que estavam por ali, os soldados encontraram centenas de milhares de utensílios pessoais e roupas em galpões, mas o mesmo não podia-se dizer dos donos.  

Das poucas informações retraídas, as piores sensações e lembranças. As crianças e bebês estavam em praticamente em todos os depoimentos. A forma como eram jogadas vivas dentro dos crematórios, ou os joguinhos feitos pelos soldados nazistas.

Essa fábrica que hoje em dia habita arte fora um dos crematórios de cadáveres. Depois de serem mortos da forma mais “silenciosa” possível, sem sangue, em câmaras de gás, os prisioneiros eram arremessados em grandes fornalhas para que não sobrasse nenhum tipo de evidências dos atos alemães.

Os alemães já haviam fugido há algum tempo, depois de terem ouvido o barulho da tropa soviética próxima ao campo de concentração. Mas quando eles fugiram não levaram consigo apenas a covardia como também alguns indícios. Apenas coisas sem valor de prova foram deixadas para trás. Papéis e alguns crematórios foram queimados.

E imaginar que já houve diversos massacres, guerras, batalhas, várias formas de se morrer; mas talvez essa tenha sido a mais fria e calculista de todas. Se analisarmos bem, pelo menos (no pior sentido que essas palavras possam significar nesse momento) nas outras formas de combate as pessoas ainda tinham a chance de lutarem pelas suas vidas, reagirem, davam o que podiam para sobreviver. Aqui a chance era nula. Mortas pelo gás Zyklon B, depois devoradas pelas gigantescas máquinas, as pessoas se transformavam em uma enorme nuvem negra, quase que incessante. 

Esse ano, o governo da Polônia reabriu as investigações sobre os crimes cometidos pelos nazistas no campo de concentração Auschwitz. O objetivo do IPN (siglas em polaco para Instituto da memória nacional) é localizar os responsáveis do extermínio no antigo campo, e julgá-los por crime contra a nação, caso seja possível.

O diretor do IPN, Piotr Piatek, me pareceu bem esperançoso ao acreditar ser possível fazer uma busca, que para muitos já é dita como impossível. Em declarações para a agência de notícias PAP, ele disse: “Não descartamos a possibilidade de encontrar vivas algumas das pessoas que trabalharam no campo de concentração Auschwitz”.

Por fim, digo: Arte é arte em qualquer tempo ou lugar. É transformação. É como a simbologia de algo subjetivo, abstrato ou atemporal. E arte nesse local em especial é como o nascer de uma flor no meio do nada, no local mais impossível de se imaginar. Uma tentativa (diga-se de passagem, quase que utópica) de levar embora as lembranças más que esse local traz consigo, mostrar ao público o que de "bom" saiu de lá. É como a vida (fazendo uma comparação bem grosseira), sempre tentamos tirar das piores situações um rastro de coisas boas. 

4 comentários:

  1. Eliane Grace Ivanoski6 de março de 2012 20:02

    Quando era criança conheci um judeu polones. Ele trabalhava como jardineiro na casa de uma de minhas tias. Era um homem alto, magro, tinha problemas para pronunciar algumas palavras, e um olhar muito triste. Ele era menino qundo viu sua família toda ser aniquilada num centro de concentração. Ele nos contava esta história sem conseguir conter as lágrimas. Ele sobreviveu, mas passou toda a sua existência remoendo o pesadelo daqueles dias terríveis.
    É até difífíl de acreditar que seres humanos tenham sido tão cruéis com sua própria espécie.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. AH meu DEUS , que experiência incrível você teve Eliane, por conhecer um relato de prova viva de que o nazismo foi uma época de atrocidades humanas em que o mundo assistiu sem fazer nada. Esse senhor deve ter um grande trauma , porque não deve ter sido nada fácil olhar os próprios pais sere mortos da pior forma .O ser humano , as vezes , é irreconhecível ...

      Excluir
  2. e muuuito triste mesmo .. como a pessoa e tão cruel assim ?!
    não consigo imaginar essas pessoas sofrendo, me da voltade de chorar !

    ResponderExcluir
  3. gostaria de conhecer mais sobre este assunto triste uma mancha cruel na nossa historia...

    ResponderExcluir